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O Dia De Uma Pessoa Simples

Quase toda a gente, deseja uma vida de luxo para ser feliz. Eu não quero nada disso

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O Dia De Uma Pessoa Simples

02
Fev18

O Dilema do Jornal - sexta-feira - 02/02/2018

Bruno Mendes

Hoje como todos os dias, foi beber um café na pastelaria do costume. Sentei-me na única mesa disponível, ainda cheia de chávenas e copos sujos. Ainda nenhum empregado me viu, acho que vou ter de fazer sinal para me servirem.

Penso na aquilo a que chamo o dilema do jornal. A batalha que as pessoas travam para lerem o jornal no café,todos os dias é a mesma coisa.

olho agora mesmo para um Homem já com alguma idade, penso que já reformado, que lê o correio da manhã minuciosamente como se tivesse o direito de o ler durante uma hora e eu que só quero ler as letras gordas e os anúncios de emprego, se quiser tenho de esperar.

Finalmente lá vem o meu café, com um pedido de desculpas sorridente.

Reparo muitas vezes, que as pessoas, que acham que tem o direito. logo que entram, procuram onde está o jornal e até ficam chateadas, se o mesmo não está disponível.

Um dia entrei no café, alguém tinha colocado o papel tão valioso no suporte,como naturalmente retirei-o e logo alguém disse,

-Olhe que agora é a minha vez!

Fiquei perplexo e pensei,

-O melhor é começarem a tirar senhas.

Entreguei-o, a pessoa que se encontrava sentada e fez cara feia, afinal ela achava que tinha o direito.

Enquanto escrevo o Homem continua na terceira página. 

E quando venço esta guerra, em que a maior parte dos dias não é possível. Sinto-me observado e oiço as pessoas a dizer para elas,

-Porra, aquele gajo nunca mais acaba de ler o jornal

Chegam ao perto de mim e dizem,

-Olhe, quando acabar pode dar-me se faz favor.

Sinto-me pressionado a ler o mais rapidamente possível. Chegam a haver grupos organizados em que o passam de uma mão para outra.

Alguns destes guerreiros, só bebem um café, no entanto custa quase tanto como o jornal, não seria melhor comprarem o jornal e lerem descansados em casa em vez de entrarem em guerras que só falta o sangue. 

E os que só vão ver jogos de futebol, a maior parte também só bebem um café e outros nem isso. Ocupam um lugar durante noventa minutos, digo novamente só entram quando há jogos e os clientes habituais nem lugar tem para se sentar, estas pessoas acham-se no direito.

O Homem reformado ainda não chegou a meio da leitura detalhada.

As pessoas que não tem nada para fazer, chateiam as outras ou mim melhor dizendo, quando por exemplo nas filas do supermercado é como se tivessem todo o tempo do mundo. Colocam os produtos lentamente nos sacos, contam todos os trocos para facilitarem o pagamento e ainda metem conversa com o operador de caixa, que simpaticamente vai respondendo e pensa,

-Epá, tenho mais que fazer que os aturar, vão se mas é embora

E a fila continua a aumentar, as pessoas agitam-se, assopram, olham para o operador que encolhe os ombros. Os outros que estão na fila devem ter coisas para fazer como ir trabalhar.

Acho que necessitam de atenção, passam demasiado tempo sozinhas ou a dois e  quando alguém lhes dá resposta, como o operador do supermercado, sentem logo ali um amigo, mas não. O operador é obrigado a responder,a  não ser mal educado e tentar que as pessoas voltem com a sua simpatia.

E quase uma hora depois, o Homem que não sei se tem alguma coisa para fazer, acabou de ler jornal.

Deve estar na hora de ir almoçar.    

  

Digo até amanhã, com este vídeo.

 

 

 

 

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